“Encontros”, nova comédia romântica do diretor francês Cédric Klapisch, é uma das estreias de destaque no mês de outubro

“Encontros” (Deux Moi), comédia romântica dirigida pelo francês Cédric Klapischi, conta a história de dois jovens na faixa dos 30 anos, Rémy e Melánie, que são vizinhos, mas não se conhecem. Ambos tentam vencer a solidão da cidade grande no mundo moderno. Enquanto ele não tem animo para conhecer novas pessoas, ela multiplica seus encontros nos aplicativos de relacionamento. Dois indivíduos, dois destinos. Sem saber, seus caminhos os levam na mesma direção.

Leia mais

“A Música da Minha Vida”, longa que envolve músicas de Bruce Springsteen estreia com exclusividade no Cinemulti, em Florianópolis

A animação “Voando Alto” é outra estreia na programação da semana de 10 a 16 de outubro Na programação da semana de 10 a 16 de outubro o Cinemulti, em Florianópolis, conta a com a estreia exclusiva do longa “A Música da Minha Vida” (Blinded by the Light), em dois horários, às 13h20 e às 19h20. Ambientado na década de 1980, o filme é inspirado na história do jornalista Sarfraz Manzoor e nas mudanças em sua vida após conhecer as canções de Bruce Springsteen. Dirigido por Gurinder Chadha, “A Música da Minha Vida” apresenta uma alegre história de coragem, amor, esperança, família e de como a música tem a capacidade de erguer o espírito humano. Outra estreia da semana é a animação dublada “Voando Alto” (Manou the Swift), às 15h30. A aventura conta a história do pequeno Manou, que cresceu acreditando que era uma gaivota. “Voando Alto” tem direção de Christian Haas e Andrea Block. Seguem em cartaz o romance “Meu Amor por Grace” (Running for Grace), às 17h15 e o nacional Bacurau no horário das 21h30. O Cinemulti fica no Multi Open Shopping, no Rio Tavares, em Florianópolis. Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia (idosos, estudantes e professores mediante comprovação) nas segundas, terças e quartas, e nas quintas, sextas, sábados, domingos e feriados o valor cobrado para a inteira é de R$ 25 e de R$ 12,50 para a meia entrada. O pagamento pode ser feito em dinheiro, cartão (crédito e débito) e com bitcoin. Mais detalhes da programação da semana: “A Música da Minha Vida” (Drama/Comédia) – sessão às 13h20 e às 19h20: Sinopse: Uma alegre história de coragem, amor, esperança, família e da capacidade única que a música tem de erguer o espírito humano. O filme conta a história de Javed, um adolescente britânico de ascendência paquistanesa que cresceu na cidade de Luton, em Inglaterra, em 1987. Entre a agitação racial e econômica da época, ele escreve poesia como forma de fugir à intolerância da sua cidade natal e à inflexibilidade do seu pai tradicional. Mas quando um colega de turma lhe introduz a música de Bruce Springsteen, Javed revê a sua vida de classe trabalhadora nas letras poderosas das canções. À medida que Javed vai descobrindo uma saída libertadora para os seus sonhos reprimidos, começa também a encontrar coragem para se expressar com a sua própria voz e de forma única. “Voando Alto” (Animação/Aventura) Dublado – sessão às 15h30: Sinopse: O pequeno Manou passou sua vida inteira acreditando que era uma gaivota, quando na realidade ele é filho de um casal de andorinhas. Enquanto tenta aprender a voar, ele percebe que nunca será capaz de alçar grandes voos e foge de casa. Mas quando os animais correm perigo de vida devido a uma nova ameaça, só ele será capaz de salvar o dia. “Meu Amor por Grace” (Romance) – sessão às 17h15: Sinopse: 1920 era uma época de segregação e preconceito racial nas plantações de café do Havaí. Jo (Ryan Potter) é adotado por Doc (Matt Dillon), um médico novo na região. Conhecido por sua velocidade, Jo começa a trabalhar com entrega de medicamentos. Ao conhecer Grace (Olivia Ritchie), filha de um rico dono de plantação, o rapaz transcede todos os limites sociais para viver seu amor proibido. “Bacurau” (Drama/Fantasia) – sessão às 21h30: Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa. Autor da publicação – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação.

Leia mais

“Double Blind”, curta metragem de cineasta catarinense é selecionado para o Los Angeles Brazilian Film Festival 2019

Natural de Chapecó, Ana Silvani mora desde 2006 nos Estados Unidos; e é a produtora responsável por “Double Blind“, filme que está recebendo destaque mundial. O curta-metragem “Double Blind” (“Riscos às Cegas”, em português) da chapecoense, Ana Silvani, é um dos selecionados para participar da 12ª edição do Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), reconhecido como um dos mais importantes festivais de cinema brasileiro fora do Brasil. Em 2019, 48 filmes, entre curtas e longas, integram a programação do evento, que ocorre entre os dias 13 e 17 de outubro, no Harmony Gold Theater, em Hollywood. Confira mais detalhes no vídeo abaixo: Escrito e coproduzido por Ana, em parceria com a atriz gaúcha Laura Linn, que também atua no curta, “Double Blind” foi gravado na África do Sul e conta com a participação de atores internacionais como Luthuli Dlamini e Bonnie Lee Bouman. Totalmente produzido com recursos próprios das duas produtoras brasileiras, o projeto vai competir na categoria de Curtas Internacionais em Destaque. Ana Silvani é formada em Linguística e Literatura (Português/Inglês) pela Unochapecó, e em 2006, mudou-se para a Califórnia para estudar cinema no Santa Monica College e cursou também Entretenimento (roteiro, direção e produção) na UCLA, ambas em Los Angeles. Em 2014, trabalhou como produtora no longa Brasil Meu Amor da diretora Debora Reis Totton. Atualmente Ana trabalha como produtora e roteirista na One Word Media e está se dedicando ao roteiro de “Happy Hour“, que está em fase de revisão e também no roteiro e produção do documentário “Py’a”, que está em fase de pré-produção.  Publicação do texto: Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.com.Produção de vídeo: Marcelo Langaro.Imagens: Divulgação.

Leia mais

A sensibilidade contemplativa de ”Vision”, filme mais recente de Naomi Kawase

A cineasta japonesa Naomi Kawase confirma, em Vision (2018), seu mais recente trabalho, a habilidade para filmar o inefável “Suzaku” (1997), “Shara” (2003) e Nanayo” (2008) para filmar o inefável. Vision conta a história da jornalista Jeanne, que viaja da França para uma floresta no Japãom, com o objetivo de encontrar uma erva raríssima sobre a qual ela está pesquisando: “vision”, que pode fazer as todas as dores humanas sanarem. Nesta jornada, Jeanne conhece Tomo, que lhe dá abrigo. Então, inicia-se uma história sobre autodescoberta e conexões entre presente, passado e futuro. A produção franco-japonesa vai além da linguagem convencional até com a escolha de utilizar-se de três idiomas ao longo da narrativa – francês, japonês e inglês. Além disso, a maioria das cenas não é ligada à narrativa de forma literal – ou seja, ao longo dos 109 minutos de duração, muitas das cenas parecem desconexas umas das outras, com saltos temporais e figuras de linguagem. Por ser um longa focado no metafórico, “Vision” vai muito além do que é mostrado em tela: foge das representações óbvias, optando por figuras de linguagem que permitem reflexões sobre os sentimentos humanos e o passar do tempo – como lidar com quem se é e com as próprias dores. Integram o elenco: Juliette Binoche (como Jeanne), Masatoshi Nagase (Tomo), Mari Natsuki (Aki) e Min Tanaka (Minamoto). As atuações não surpreendem, pois os personagens não têm grande desenvolvimento – exceto a protagonista. No entanto, essa falta de desenvolvimento dos personagens não chega a ser um grande problema, pois o roteiro tem outras preocupações: as diversas e profundas metáforas sobre temas metafísicos. Autor do texto: Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.com Imagens: Divulgação. Todos os direitos reservados às produtoras e distribuidoras Slot Machine; Kumie e IMOVISION.

Leia mais

Baseado no livro baseado em fatos verídicos: a adaptação cinematográfica de “A Sangue Frio” (1967)

Filme produzido sob uma expectativa repleta de pressão: adaptar a obra percursora do gênero divisor de águas no jornalismo – o New Jornalism (também conhecido como Jornalismo Literário), apenas um ano depois da publicação literária. Dirigido por Richard Brooks (1912-1992), o longa-metragem “A Sangue Frio” (In Cold Blood, no original) adapta a obra literária homônima, escrita por Truman Capote e publicada em 1966. O filme narra as consequências de uma chacina ocorrida na pequena cidade de Holcomb, no Kansas: a dupla de criminosos Perry Smith e Dick Hickock invade a casa da família Clutter, com a intensão de realizar um assalto. No entanto, apesar da família ser rica, não há dinheiro algum na casa. Então, os criminosos assassinam brutalmente os quatro membros da família. Com a fuga da dupla, inicia-se uma intensa investigação. Optando pela linguagem mais sutil do que a do livro – que permite ao leitor visualizar e utilizando-se da linguagem, o longa-metragem de Brooks demonstra escolhas linguísticas bem definidas: enquanto a obra literária, apesar de utilizar-se apenas da palavra escrita, soa muito mais gráfica ao representar a violência da história. Em nenhum momento a cinematografia de In Cold Blood opta por mostrar cenas que ilustrem violência física, mas a maioria das tomadas são impressionantes por conta da ambientação que enfatiza sobreposições e alternância de planos bastante destoantes. No entanto, apesar das diferenças, o a adaptação cuidadosamente fiel com as descrições feitas no livro de Capote. Para isso, as gravações foram realizadas em locações autênticas, não apenas na cidade de Kansas City, até mesmo nos cômodos da casa onde ocorreram os assassinatos. Para interpretar os dois criminosos, ele encontrou dois novatos e desconhecidos, o ex-ator infantil Robert Blake (que depois ficaria famoso com o seriado “Baretta” e pela acusação do assassinato de sua ex-esposa) e Scott Wilson (que depois continuaria como coadjuvante). O estúdio porém queria Paul Newman e Steve McQueen. Na segunda parte do filme tem o julgamento, que é feito no mesmo lugar (Finney Court House, em Garden City) e com as mesmas pessoas no júri quando haviam chegado ao veredicto. A trama tem enfoque na instigante investigação da polícia, liderada pelo detetive Alvin Dewey interpretado por John Forsythe. No entanto, um dos aspectos mais interessantes do roteiro, é que a narrativa se intercala com importantes flashbacks – inclusive, uma das cenas mais impactantes é a que revela detalhes do crime. Os cuidados na veracidade da adaptação chegam ao ponto do pai verdadeiro de Perry Smith interpretar a si mesmo, e dos habitantes de Holcomb aparecerem como figurantes. Além disso, durante a filmagem, Brooks não deixou o elenco ler o livro nem o roteiro inteiro. Capote trabalhou perto do diretor e gostou muito do resultado. Infelizmente a edição em DVD não menciona nenhum dos fatos acima. Indicado para Oscars de “Fotografia” (Conrad Hall), “Direção”, “Trilha Sonora” (Quincy Jones) e “Roteiro”. Foi “Melhor Diretor” pelo “National Board of Review“. Tem apenas trailers (de filme não lançado aqui como “A Hora do Diabo”). Assim como no livro de Capote, Perry Smith é retratado com mais profundidade do que os demais personagens. Smith é claramente perturbado pelo passado e atormentado pelos traumas de infância. Por isso, mesmo sem que seja criada quaisquer justificativas para os atos hediondos, o personagem é tão complexo e profundo, que não é de se espantar que o espectador crie certa empatia. Assim como no livro de Capote, Perry Smith é retratado com mais profundidade do que os demais personagens. Smith é claramente perturbado pelo passado e atormentado pelos traumas de infância. Por isso, mesmo sem que seja criada quaisquer justificativas para os atos hediondos, o personagem é tão complexo e profundo, que não é de se espantar que o espectador crie certa empatia. Com o auxílio de uma fotografia em preto-e-branco, Richard Brooks cria uma aura de suspense e de tensão que muito se aproxima do cinema noir. Há também cenas repletas de lirismo e sensibilidade, ao exemplo daquela em que o reflexo da chuva na janela parece formar lágrimas no rosto de Perry. A Sangue Frio é uma adaptação, que apesar da sensibilidade, não deixa de ser marcante devido ao peso da história que retrata e ao contexto no qual foi realizada – fazendo jus ao primoroso livro de Truman Capote. Autor do texto: Willian S. Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens: Divulgação.  Direitos reservados à produtora Columbia Pictures.

Leia mais

Obscuridades traumáticas: “It: Capítulo Dois” – crítica

Concluindo a adaptação da obra “It”, do escritor estadunidense Stephen King, “It: Capítulo Dois” (It: Chapter Two) é um horror que propõe-se a abordar os traumas da infância. Depois do estrondoso sucesso de bilheteria e crítica, o diretor Andy Muschietti encerra a jornada do “Clube dos Perdedores” de Derry para enfrentar o enigmático e aterrorizante Pennywise. A nostalgia é um dos aspectos que mais permeiam o roteiro, que dá um espaço temporal de vinte e sete anos entre os eventos do capítulo 1. O reencontro de personagens que foram bem desenvolvidos anteriormente instiga o espectador a saber o quão mudados estão esses personagens e como serão as reações de cada um. Como é de se esperar, o reencontro torna-se uma batalha sangrenta quando o horrendo Pennywise retorna. O roteiro é de Gary Dauberman – que tem experiência no gênero do horror, roteirizando longas como “O Perigo Bate à Porta” (Wolves at the Door), “Morando Com o Medo” (Crawlspace) e alguns filmes da franquia “Invocação do Mal”. O filme conta com múltiplos protagonistas – os membros do Clube dos Perdedores. James Ransone, Andy Bean, Bill Hader, Isaiah Mustafa, Jay Ryan, Jessica Chastain e James McAvoy são os atores que dão vida aos amigos que enfrentam a criatura que toma forma de palhaço macabro. James McAvoy é o ator que mais se destaca, encarnando bem as complexidades do personagem Bill, que apresenta diversas camadas – os traumas da adolescência não são simplesmente despejados em cenas repetitivas de flashbacks, mas são aproveitados para dar profundidade ao personagem. Aliás, os citados flashbacks repetitivos são o que fazem a narrativa parecer truncada, tornado o longa longuíssimo – e é mesmo, já que são quase três horas de filme. A grande proposta do roteiro é representar o quão profundos podem ser os traumas adquiridos na adolescência, demonstrando os impactos que estes provocam nos protagonistas. O roteiro se torna cansativo e previsível quando repete incansavelmente uma estrutura narrativa de flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos, flashbacks+sustos… e assim, o horror, que é inicialmente bem construído, parece perder o impacto. E o maior problema desse tom do roteiro é o fato dos personagens do tempo atual terem desenvolvimentos bastante superficiais. Como piorar? Juntando uma narrativa repetitiva com um triângulo amoroso tão mal desenvolvido que parece melodrama adolescente. A direção de arte do longa, de um modo geral é bom – pois oscila bastante entre ambientações bem diferentes – com uma fotografia bem-feita , e os elementos horrorosos em tela têm design criativos – apesar da computação gráfica (CGI) ser inconsistente. Bill Skarsgård é quem interpreta o vilão do filme, Pennywise, entidade maligna que costuma assumir a forma de um palhaço macabro. A atuação é brilhante pela sua riqueza de detalhes. Além disso, o vilão tem um importante desenvolvimento ao longo da trama. It: Capítulo Dois é um filme que deixa o espectador com dúvidas sobre como avaliá-lo: com pontos positivos e negativos, a única certeza é que não supera as expectativas geradas pela excelente primeira parte. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Direitos reservados às produtora Warner Bros.

Leia mais

Permitir-se experimentar: a sensibilidade do drama romântico “Vendredi Soir”

O Cineclube da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, recebe a sessão Cine Delas [Floripa], com o filme “Vendredi Soir” (Sexta-feira à Noite), dirigido pela francesa Claire Denis. A exibição, realizada no dia 19 de setembro, às 19h, conta com mediação de Andréa Carla Scansani, professora do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lançado em 2002, o drama romântico conta com roteiro de Emmanuèle Bernheim, juntamente da própria Claire Denis, que dá um tom autoral e sensível – transformando situações aparentemente simples em reflexões contemplativas. O longa-metragem acompanha Laure (Válerie Lemercier), que decide mudar-se para a casa do namorado. Durante a mudança, encaminhando-se para o novo lar, ela fica presa em um engarrafamento. Invés de se estressar com a situação, Laure permite-se relaxar no carro e a contemplar a cidade e que a cerca. Enquanto isso, um estranho chamado Jean (Vincent Lindon) se aproxima e ela o deixa entrar. Esse encontro inusitado muda drasticamente a vida de ambos. Ao dirigir “Vendredi Soir“, Claire Denis carregava muita bagagem: a experiência em mais de dez projetos cinematográficos. Por conta desse histórico, a diretora reafirma sua capacidade de observar as situações com um olhar aguçado para questões conflitantes da contemporaneidade. Neste filme em particular, a protagonista se vê diante de uma situação controversa – estagnada, quase que presa, permite-se libertar de amarras pessoais e sociais. Outro aspecto que ressalta a sensibilidade da diretora em observar o cotidiano, é a forma como a cidade de Paris é retratada – vista quase como um personagem que parece se desenvolver ao longo da projeção. A beleza da noite parisiense é explorada em tomadas de variáveis ângulos. São nessas passagens, que a direção fotográfica de Agnès Godard mais se destaca. Os protagonistas são trabalhados com profundidade: até mesmo a aparente inconsequência de Lauren é passível de compreensão, dada a libertação crescente que isso desencadeia. Já Jean, que pode, inicialmente parecer apenas um tipo de garanhão supérfluo, ganha mais camadas e profundidade com o passar dos acontecimentos e diálogos bem construídos. Cineclube da Fundação Cultural Badesc: Contando com diversos parceiros – como a Aliança Francesa, Cine Italiano, ART 7, Cine Africano, Foco em Cinema, Sessão Divã, entre outros – e ocasionais mostras temáticas, o cineclube da Fundação Cultural Badesc, no centro de Florianópolis, realiza sessões de terça a sexta, às 19h. Todas as exibições são gratuitas. A programação completa pode ser consultada no site: http://fundacaoculturalbadesc.com Algumas das sessões são mediadas e/ou comentadas por convidados especiais. Andréa Carla Scansani: Professora do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do grupo de pesquisa Fotocrias. Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP com período sanduíche no Institute du recherche sur le cinema et l?audiovisuel (IRCAV – Sorbonne Nouvelle – Paris 3); mestre em Multimeios/Cinema pelo Instituto de Artes da UNICAMP; especializada em Fotografia Cinematográfica pela Academia de Cinema e Drama de Budapeste/Hungria; graduada em Cinema com especialização em Fotografia Cinematográfica pela ECA/USP e formada em Fotografia pelo Núcleo Permanente de Formação em Linguagem Fotográfica da União dos Fotógrafos do Estado de São Paulo. Área de pesquisa e atuação: direção de fotografia, materialidade da imagem, corpo e câmera e processos fotográficos artesanais. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Direitos reservados às produtoras Arena Films e France 2 Cinéma.

Leia mais

Horror ácido – “Brinquedo Assassino”, o reboot da franquia do boneco Chucky

Uma releitura ousada, mas problemática, do icônico personagem criador por Don Mancini O cinema hollywoodiano passa por um momento delicado: uma aparente crise de criatividade coletiva, somada ao conteúdo massivamente distribuído, modismo pelo nostálgico e tendências mercadológicas, transformam a fase atual no cinema em uma espécie de “Era do Remake”. Incontáveis filmes antigos foram refilmados nos últimos anos, fazendo com que parte da indústria cinematográfica se saturasse de refilmagens (popularmente mais conhecidas como remakes), adaptações cross-mídia e continuações de franquias longínquas. Dirigido por Lars Klevberg, cujo currículo como diretor ainda é curto, “Brinquedo Assassino” (Child’s Play), que estreou nos cinemas no mês de agosto, é um dos casos em que o remake pode ser considerado bem-vindo. Tal fato dá-se justamente do longa não parecer necessariamente um remake, mas uma espécie de releitura do filme homônimo produzido há três décadas. Decisões criativas dão uma roupagem totalmente nova ao icônico vilão Chucky, fazendo com que a versão dirigida por Klevberg tome como molde conceitos gritantemente diferentes aos do “clássico” filme dirigido por Tom Holland. No novo Child’s Play, um boneco altamente tecnológico, com inteligência artificial e que pode conectar-se a outros aparelhos, é a nova sensação mercadológica. Quando Karen Barclay (Aubrey Plaza), presenteia o filho Andy (Gabriel Bateman) com um desses brinquedos, a violência começa a aterrorizar a vida entorno da família. Acontece que o boneco de Andy foi alterado, por um funcionário revoltado da fábrica, para não distinguir o que é ou não violento. Então, aos poucos, o boneco Chucky torna-se uma pequena, porém destrutiva, máquina mortífera. Mesmo assumidamente calcado pela despretensão narrativa, o longa não é vazio de reflexões pertinentes. Em alguns momentos, até o humor ácido é utilizado pelo roteiro. A crescente submissão da sociedade atual para com a tecnologia em constante desenvolvimento é uma crítica inteligente que se reafirma ao longo de todo o filme – mesmo perdendo a força ao longo dos atos. Já no início do longa outra crítica é feita: as condições trabalhistas às quais se sujeitam alguns setores da sociedade. Questões como o deslocamento social juvenil, conceito desconstruído de família, machismo e até racismo, são pincelados ao longo da narrativa. No entanto, o filme não tem grandes pretensões para com o desenvolvimento dos personagens. A profundidade que poderia ser aplicada aos participantes da trama faz com que o roteiro perca força e que bom elenco não seja devidamente bem aproveitado. Alguns dos atuantes no longa são: Brian Tyree Henry, Amber Taylor, Beatrice Kitsos, Carlease Burke, David Lewis. O destaque maior vai para Mark Hamill (eternamente popular como o personagem Luke Skywalter, de Star Wars), que dubla do boneco assassino. Mesmo se perdendo no terceiro ato, “Brinquedo Assassino” não é desnecessariamente longo, nem cansativo. Um dos méritos do filme é não se render à linguagem padrão do terror comercial comumente visto na atualidade. O suspense é bem trabalhado em certos momentos e a cinematografia faz com que, em diversos planos, o vilão tenha uma grandiosidade metafórica. O longa não é pretensioso, mas consegue prender o espectador e até provocar reflexões interessantes em meio ao caos narrativo que se espalha ao longo dos arcos. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail – willianschutz@hotmail.com Imagens: Divulgação. Direitos de imagens das produtoras Orion Pictures, Bron Studios, KatzSmith Productions.

Leia mais
françoistruffatut

Uma declaração de amor – “A Noite Americana” e a cinefilia de François Truffaut

O filme é uma das mais imersivas representações artísticas da produção cinematográfica Uma grande declaração de amor ao cinema, feita por um dos mais influentes diretores franceses de todos os tempos: A Noite Americana (La nuit américaine, de 1973), longa-metragem escrito e dirigido por François Truffaut. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e do Globo do Ouro na mesma categoria, o filme tem trama que acompanha as diversas situações que acontecem durante a produção de um filme. O longa ao utilizar-se da metalinguagem para representar a produção de um filme dentro do filme – em uma grande ode ao cinema, cheia de referências à sétima arte. Durante quase 115 minutos, Truffaut se propõe a proporcionar ao espectador, uma imersão no processo cinematográfico: a produção e alguns aspectos de pós-produção. As referências ao carinho que o diretor tem pela arte cinematográfica ficam mais evidentes nas tomadas em que aparecem livros de autoria ou sobre grandes diretores na capa, como Howard Hawks, Jean-Luc Godard, Alfred Hitchcock, Luis Buñuel, Carl Theodor Dreyer, Ingmar Bergman, Robert Bresson, Roberto Rossellini e Ernst Lubitsch. Através de diálogos, de diversos elementos da mise-en-scène e até situações de roteiro forma-se um leque de incontáveis referências à sétima arte. O próprio título já referencia o ato de fazer Cinema: “noite americana”, efeito utilizado na fotografia de um filme para dar a sensação noturna para uma cena gravada durante o dia. Já na introdução do filme, junto aos créditos iniciais, os bastidores da produção cinematográfica são apresentados, com ondas de som aparecendo em tela, ilustrando a montagem de som de um filme. Uma surpresa é feita para o espectador logo na primeira cena da projeção: quando as imagens acompanham o personagem de Jean-Pierre Léaud durante toda uma passagem, que é interrompida pela voz do diretor – “Corta!”. Então, percebe-se que aquela cena é, na verdade, do filme dentro do filme. Partindo disso, a cena é retrabalhada em um formato parecido com um making off. Jean-Pierre Léaud se destaca no papel de Alphonse, um ator medíocre e com diversas indecisões que constantemente oscilam entre o cômico e o dramático. Léaud já tinha trabalhado com Truffaut na filmagem da saga semiautobiográfica do diretor, como Antoine Doinel – que tem semelhanças temperamentais com Alphonse. Também já havia trabalhado com diretores como Julien Duvivier, Jean Cocteau, Jean-Luc Godard e Glauber Rocha. La noite américaine é um dos três filmes em que Truffaut tanto atua, como dirige – O Garoto Selvagem (L’Enfant Sauvage, de 1970) e O Quarto Verde (La Chambre Verte, de 1978) são os outros dois. Ferrand, o diretor interpretado pelo diretor, não é o protagonista, mas funciona como figura que dá o tom do filme, tanto com parte do alívio cômico, quanto como responsável por apresentar, através de diálogos, reflexões sobre a relação entre arte e realidade. O roteiro original de Truffaut, Jean-Louis Richard e Suzanne Schiffman vai além das gravações do longa fictício, comentando sobre a produção como um todo, assim como das relações entre os membros da equipe. Assim, intercalando cenas da gravação e outras externas que podemos perceber a amplitude de uma obra de cinema. Truffaut se aprofunda mais ao demonstrar a própria ligação com o Cinema, com cenas de um personagem de caráter semiautobiográfico: um pobre menino, quase que alter ego do diretor, por fascínio, rouba um cartaz do filme “Cidadão Kane” (Citizen Kane, de 1941). Essa passagem tem semelhança com a cena em que o alter ego infantil do diretor, Antoine Doinel, rouba uma foto da atriz Harriet Andersson. Sentenças como: “Um filme é como um trem que avança pela noite” e “Um diretor de filmes é alguém que responde todo tipo de pergunta” demonstram reflexões profundas sobre a sétima arte e, juntamente da própria película, demonstram uma forma de pensar o Cinema que une o glamoroso ao duramente realista. Uma metáfora interessante utilizada no filme é a do aparelho auditivo do personagem Ferrand: representando o fato da produção cinematográfica ser o único foco do personagem, impossibilitando-o de permitir-se ouvir qualquer assunto sem fazer relações diretas ou indiretas para a arte. O roteiro tem uma construção que pode até despertar em certos espectadores, a vontade de assistir Je Vous Presente Pamela, a produção dentro da produção. E, como no término de qualquer filme do Truffaut, quando a conclusão da obra fictícia ocorre, o espectador mais sensível fica com uma sensação de amargor, a vontade de ter mais daquele pequeno núcleo social e artístico tão envolvente e complexo, humano com qualquer pessoa. A Noite Americana acabou por sacramentar a briga entre Jean-Luc Godard e François Truffaut. Pouco tempo depois do lançamento do longa, Godard, que no passado fora grande amigo de Truffaut quando ambos trabalharam como críticos na revista Cahiers du Cinéma, tornando-se juntos, percursores do movimento Nouvelle Vague – ao lado de nomes como Eric Rohmer, Claude Chabrol, Jacques Rivette. Na longa carta que Godard enviou a Truffaut criticando A Noite Americana, chega a chamar o colega de burro, acusando-o de trair o movimento artístico que consolidaram – condenando a predileção do colega pelo cinema norte-americano. O fato é que em La noite américaine se encontra a representação que François Truffaut fez do que é o cinema sob seu ponto de vista – demonstrando que a arte é maior do que a vida. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Todos os direitos reservados à Warner Bros Pictures.

Leia mais
Voltar ao topo