“Parasita”, além de crítico e envolvente, pode ser forte candidato na corrida para o Oscar de Melhor Filme Internacional de 2019

Transitando por diversos gêneros, o mais recente filme do diretor sul-coreano Bong Joon-ho é, ao mesmo tempo, crítico e envolvente Aclamado após receber o prêmio Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França, em 2019, “Parasita” (기생충 ou Parasite), dirigido por Bong Joon-ho, fascina pela quantidade de elementos que entrega ao longo dos seus 132 minutos de duração. O filme inicia-se demonstrando o quanto a realidade social da família Kim é precária: todos estão desempregados, morando em um porão sujo e apertado. Então, a narrativa progride até o ponto em que, por acaso, o filho mais velho, Kim Ki-woo, começa a dar aulas de inglês à uma adolescente de família rica – os Park. Fascinado com a vida luxuosa, o rapaz bola uma plano para infiltrar na vida dos burgueses, os próprios familiares – um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos. Ao mesmo tempo caricata, claustrofóbica e degradada, a ambientação da casa da família Kim, realizada nos primeiros minutos do longa, já apresenta ao público um ambiente desconfortável – repleto de sátiras das facetas diversificadas do ser humano em estado de mesquinhice e pobreza. É irônica a forma bem-humorada como o diretor apresenta o fato dos familiares desempregados viverem em um porão sujismundo e que é alvo de desprezo social. Juntamente à apresentação do ambiente e o contexto socio-cultural da família, os habitantes daquele buraco decadente também são apresentados: o pai mesquinho, que inicialmente parece abobalhado, mas que demonstra-se sagaz ao longo da narrativa; a mãe afetuosa e preocupada com o bem-estar (inconstante) do lar; a filha de gênio forte e o filho inteligente, mas que não busca alternativas para sair da inércia. Apesar de parecerem altamente caricatos no início, todos esses personagens ganham camadas e são igualmente desenvolvidos na medida em que a projeção avança. Outro aspecto forte em “Parasita” é a humanização dos personagens. Apesar das sátiras, todos têm camadas de profundidade bem desenvolvidas e motivações devidamente explicitadas. Em resumo, são personagens críveis. A própria família Kim, por exemplo, é inteligente, porém com impulsos maquiavélicos para a realização de seus objetivos – no entanto, considerando a realidade antes apresentada, seus atos são, no mínimo compreensíveis. Aliás, nenhum personagem do filme é totalmente bom ou totalmente mal, pois cada um tem suas próprias peculiaridades e motivações. A família Park mora na zona mais nobre da cidade Seul – onde, sagazmente, a fotografia não é tão claustrofóbica e a paleta de cores é mais vívida – e usufruem de um estilo de vida luxuoso e discretamente esnobe. Em um primeiro momento, eles parecem pessoas gentis e educadas, porém sem muita noção da realidade social das outras classes – cercando-se no próprio reduto social repleto de facilidades, onde até as pessoas são descartáveis. Ao longo da projeção, a verdadeira essência dos Park é revelada, aos poucos: os muitos preconceitos que todos os membros da família nutrem pelas pessoas menos privilegiadas, assim como outras minorias. Um dos elementos mais interessantes do longa, que tem roteiro coassinado pelo diretor, Bong Joon Ho e por Jin Won Han, é a transitoriedade de gêneros: com cenas intercalando comédia, drama, pitadas de romance, e suspense – mas sempre mantendo o teor crítico de modo bastante ácido. Toda essa versatilidade faz com que a obra seja dificilmente rotulável. Apesar disso, um dos elementos mais impressionantes é a criação de tensão: que inicia-se apenas com diálogos bem construídos, e progride para uma agressividade deveras gráfica. Justamente a progressão por conta a progressão da tensão na trama e das reviravoltas de tirar o fôlego, é difícil sentir as mais de duas horas de duração da projeção passarem. Kyung-pyo Hong, responsável pela cinematografia do longa, sabe quando ser sutil nos movimentos de câmera e ao enquadrar os personagens em cena – no sentido de ser notável a variação fotográfica da decadente moradia dos Kim (quase que representando algo abaixo da superfície mundana), para a luxuosa e elegante mansão dos Park. Antes do presente trabalho, o diretor construiu um sólida carreira, mesclando gêneros, expandindo os próprios horizontes – ganhando, portanto, bagagem o suficiente para dominar diferentes tipos de narrativas e técnicas. O suspense, no entanto, é uma das especialidades do diretor. São os trabalhos dirigidos anteriormente: “Incoherence” (지리멸렬), de 1994; o curta “White Man” (Baeksekin), de 1996; “Cão que Ladra não Morde” (Flandersui Gae), de 2000; “Memórias de um Assassino” (Salinui Chueok), de 2003; “Influenza“, lançado em 2004; “O Hospedeiro” (Gwoemul), 2006; “Tokyo!”, de 2008; “Mother – A Busca Pela Verdade” (Madeo), de 2009; “Expresso do Amanhã” (Snowpiercer), 2013 e o popular “Okja“, lançado pela Netflix em 2017. A pluralidade de personagens com essências diferentes de uns dos outros, mas conectados pelas mesmas origens – e/ou classe econômica na qual se enquadram – são fundamentais para o tom tenso, porém com toques apimentados de humor. Integram o elenco: Kang-ho Song, Sun-kyun Lee, Yeo-jeong Jo, Woo-sik Choi, Hye-jin Jang, So-dam Park, Kang Echae, Jeong Esuz, Andreas Fronk, Hyun-jun Jung, Ik-han Jung, Ji-so Jung, Jeong-eun Lee, Ji-hye Lee, Joo-hyung Lee, Hyo-shin Pak, JaeWook Park, Keun-rok Park, Myeong-hoon Park e Seo-joon Park. Todas as atrizes e atores têm bom desempenho e, cada qual com os próprios trejeitos, acrescentam aos personagens em cena. Um dos aspectos que torna Parasita tão fascinante é a maneira homogênea de aliar as boas interpretações com a sagacidade do roteiro. O filme traz reflexões sobre a sociedade de tal maneira que, mesmo com as peculiaridades culturais da Coréia do Sul, onde a trama se desenrola, ainda fazem sentido se retiradas desse contexto e aplicadas em regiões metropolitanas de boa parte do globo. Isso ocorre justamente pelo longa explorar, mais especificamente a natureza do ser humano – através das relações interpessoais e das maneiras como lidar com as próprias inconstâncias, principalmente. A desigualdade social é uma realidade global. Os sentimentos humanos, mais ainda. Ao tocar diretamente nesses aspectos, provocando o espectador, fazendo-o sair de uma inconsciente zona de conforto, o longa de Bong Joon Ho é altamente instigante. Considerando…

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Recorte da produção francófona contemporânea é apresentado na Mostra Aliança Francesa de Cinema 2019

A Mostra Aliança Francesa de Cinema chega à terceira edição em 2019 e apresenta em Florianópolis um recorte da produção contemporânea em língua francesa. Entre os dias 19 e 23 de novembro, sete produções recentes são exibidas gratuitamente na Fundação Cultural Badesc, Centro da Capital. A comédia Le Poulain, de Mathieu Sapin, abre a mostra na terça-feira (19/11), às 19h.

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Crítico e assustadoramente comovente: “Coringa” é um drama denso que narra uma origem inédita para o Palhaço do Crime

A adaptação de um personagem de quadrinhos é um fenômeno cinematográfico, que dá novos ares à sétima arte Um mês depois da estreia nos cinemas mundiais, o longa-metragem “Coringa” (Joker), dirigido por Todd Phillips, transformou-se em um dos maiores fenômenos cinematográficos dos últimos tempos: uma adaptação de personagem de quadrinhos, que foge do maniqueísmo e torna-se um blockbuster (sucesso estrondoso de bilheterias) apresentando caráter autoral do diretor. Foi uma surpresa para boa parte do público, mesmo antes do lançamento, a escolha do cineasta Todd Philipps para a direção de “Coringa”: Phillips é famoso por assinar filmes de comédia como “Road Trip – Sem Regras” (Road Trip, de 2000), “Dias Incríveis” (Old School, de 2003) e a trilogia “Se Beber, Não Case!” (The Hangover). No entanto, em Joker, o diretor apresenta toda a sua bagagem de construção de cenas, um surpreendente ar de humor negro em um filme extremamente dramático, e, além de tudo, optou por transformar a trajetória do famoso vilão dos quadrinhos do Batman em uma produção com caráter autoral. “Coringa” é mais do que uma mera adaptação do vilão criado por Jerry Robinson, Bill Finger e Bob Kane, em 1940, e que passou por inúmeras transformações e adaptações ao longo das décadas: o protagonista do longa – que Todd Phillips assina o roteiro juntamente de Scott Silver -, é uma reconstrução completa do personagem, sem receio de o recriar por completo – apesar de aproveitar inteligentemente as referências dos quadrinhos e dos cinemas. O icônico vilão já apareceu em diversas adaptações para o cinema, interpretado por atores que tornaram-se consagrados tanto entre o público fanático pelas revistas, quanto pelos cinéfilos. Cronologicamente, são os atores que encarnaram o “Palhaço do Crime”: Cesar Romero, Jack Nicholson, Heath Ledger, Jared Leto e Cameron Monaghan (este último, na série televisiva “Gotham”). No entanto, a comparação entre a interpretação dada pelo ator Joaquin Phoenix ao Coringa, com as de seus antecessores, são injustas, no mínimo: além da diferença de abordagem e densidade, o personagem do longa lançado neste ano carrega peso narrativo enorme, passa por transformações dramáticas e impactantes o suficiente para que não seja surpreende a comoção do público com Arthur Fleck – que, com o passar dos eventos da trama, assume-se como “Coringa”. No filme, o Coringa tem pouco tempo de tela. A história desenvolve-se muito mais nos dramas cotidianos de Arthur Fleck – como, aos poucos, ele perde o controle da própria mente instável, por conta de uma inadequação social esmagadora. Então, como uma explosão incontrolável de revolta, Arthur torna-se um vilão. O interessante é que há grande humanização nessa transformação gradual – o bandido retratado em tela não é mau por natureza, mas vítima da sociedade em decadência e da própria mente igualmente desgastada. Para tanto, Joaquin Phoenix mostrou-se a escolha ideal: o ator transmite o drama tanto fisicamente, quanto pelas expressões marcantes – que são evidenciadas nos planos fechados e na utilização de enquadramento como: primeiro plano, primeiríssimo plano e plano médio curto. Tais decisões visuais são creditadas ao diretor de fotografia, Lawrence Sher – que também tem o mérito de ajustar até a paleta de cores das cenas, conforme a evolução dos personagens: passando de tons frios e sombrios, para cores vibrantes e quentes. Uma característica marcante do Coringa, em todas as suas versões, é a risada. Ao encarnar o personagem, Joaquin Phoenix utiliza-se de elementos do roteiro e de um profundo processo de imersão no psicológico de Arthur Fleck, para trabalhar tal risada de diversas formas, modificando-a: por vezes, consequente de um distúrbio patológico; outras vezes, pela ironia situacional; assim como, no último ato, pelo ar triunfal de uma autodescoberta. Phoenix utiliza-se do método de atuação Constantin Stanislasvki, que consiste em remeter-se a ações e experiências já vividas, para relembrá-las e aplicar expressões e nuances à atuação. Caso o ator “do método” não tenha vivido experiências parecidas com as de seu personagem, cabe a ele literalmente viver como tal dentro e fora do set de filmagem. É a utilização do método que faz a entrega de Joaquin Phoenix parecer ainda mais forte – considerando que o ator emagreceu cerca de 23 quilos somente para encarnar a nítida fragilidade física e psicológica de Arthur Fleck. As atuações de Zazie Beetz, como Sophie Dumond – interesse romântico do protagonista – e de Frances Conroy, como a mãe de Arthur – Penny Fleck – cumprem razoavelmente bem seus papéis de servir como gancho desencadeador de ações cruciais do personagem. Também integram o elenco: Brian Tyree Henry, Bill Camp, Brett Cullen, Bryan Callen, Carrie Louise Putrello, Dante Pereira-Olson, Douglas Hodge, entre outros nomes. Todd Phillips também tem méritos pela ambientação do filme: passando-se no final da década de 1970, a cidade de Gotham City remete aos bairros perigosos da Nova Iorque da mesma década – para isso, referências de filmes como “Taxi Driver” (1976), de Matin Scorsese e “Um Dia de Cão” (Dog Day Afternoon, lançado por Sidney Lumet em 1975), mostram-se evidentes. A sétima arte também é homenageada em “Coringa”, pois é possível perceber nitidamente de outros filmes como: ” O Homem Que Ri ” (The Man Who Laughs), de Paul Leni (1928), que serviu como inspiração para o personagem que é adaptado; “Um Estranho no Ninho” (One Flew Over the Cuckoo’s Nest), de Ken Kesey (1975), que retrata a instabilidade mental e a loucura de maneira humanizada, mesclando o drama com a comédia; “O Rei da Comédia” (The King of Comedy), de Martin Scorsese (1982), que é referenciado explicitamente com a magistral presença do ator Robert De Niro; “O Mestre” (The Master), de Paul Thomas Anderson (2012), no qual o próprio Joaquin Phoenix interpretou o protagonista, que tem semelhanças físicas e psicológicas com Arthur Fleck; entre tantos outros. O contexto social da cidade de Gotham City, na qual a história se desenrola, também é bastante relevante: passando por instabilidades políticas, altas taxas de criminalidade, marginalização das minorias e, para compactuar com a ambiência caótica, greve dos lixeiros. No entanto, alguns desses aspectos são deixados na superficialidade, a…

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“Encontros”, nova comédia romântica do diretor francês Cédric Klapisch, é uma das estreias de destaque no mês de outubro

“Encontros” (Deux Moi), comédia romântica dirigida pelo francês Cédric Klapischi, conta a história de dois jovens na faixa dos 30 anos, Rémy e Melánie, que são vizinhos, mas não se conhecem. Ambos tentam vencer a solidão da cidade grande no mundo moderno. Enquanto ele não tem animo para conhecer novas pessoas, ela multiplica seus encontros nos aplicativos de relacionamento. Dois indivíduos, dois destinos. Sem saber, seus caminhos os levam na mesma direção.

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“A Música da Minha Vida”, longa que envolve músicas de Bruce Springsteen estreia com exclusividade no Cinemulti, em Florianópolis

A animação “Voando Alto” é outra estreia na programação da semana de 10 a 16 de outubro Na programação da semana de 10 a 16 de outubro o Cinemulti, em Florianópolis, conta a com a estreia exclusiva do longa “A Música da Minha Vida” (Blinded by the Light), em dois horários, às 13h20 e às 19h20. Ambientado na década de 1980, o filme é inspirado na história do jornalista Sarfraz Manzoor e nas mudanças em sua vida após conhecer as canções de Bruce Springsteen. Dirigido por Gurinder Chadha, “A Música da Minha Vida” apresenta uma alegre história de coragem, amor, esperança, família e de como a música tem a capacidade de erguer o espírito humano. Outra estreia da semana é a animação dublada “Voando Alto” (Manou the Swift), às 15h30. A aventura conta a história do pequeno Manou, que cresceu acreditando que era uma gaivota. “Voando Alto” tem direção de Christian Haas e Andrea Block. Seguem em cartaz o romance “Meu Amor por Grace” (Running for Grace), às 17h15 e o nacional Bacurau no horário das 21h30. O Cinemulti fica no Multi Open Shopping, no Rio Tavares, em Florianópolis. Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia (idosos, estudantes e professores mediante comprovação) nas segundas, terças e quartas, e nas quintas, sextas, sábados, domingos e feriados o valor cobrado para a inteira é de R$ 25 e de R$ 12,50 para a meia entrada. O pagamento pode ser feito em dinheiro, cartão (crédito e débito) e com bitcoin. Mais detalhes da programação da semana: “A Música da Minha Vida” (Drama/Comédia) – sessão às 13h20 e às 19h20: Sinopse: Uma alegre história de coragem, amor, esperança, família e da capacidade única que a música tem de erguer o espírito humano. O filme conta a história de Javed, um adolescente britânico de ascendência paquistanesa que cresceu na cidade de Luton, em Inglaterra, em 1987. Entre a agitação racial e econômica da época, ele escreve poesia como forma de fugir à intolerância da sua cidade natal e à inflexibilidade do seu pai tradicional. Mas quando um colega de turma lhe introduz a música de Bruce Springsteen, Javed revê a sua vida de classe trabalhadora nas letras poderosas das canções. À medida que Javed vai descobrindo uma saída libertadora para os seus sonhos reprimidos, começa também a encontrar coragem para se expressar com a sua própria voz e de forma única. “Voando Alto” (Animação/Aventura) Dublado – sessão às 15h30: Sinopse: O pequeno Manou passou sua vida inteira acreditando que era uma gaivota, quando na realidade ele é filho de um casal de andorinhas. Enquanto tenta aprender a voar, ele percebe que nunca será capaz de alçar grandes voos e foge de casa. Mas quando os animais correm perigo de vida devido a uma nova ameaça, só ele será capaz de salvar o dia. “Meu Amor por Grace” (Romance) – sessão às 17h15: Sinopse: 1920 era uma época de segregação e preconceito racial nas plantações de café do Havaí. Jo (Ryan Potter) é adotado por Doc (Matt Dillon), um médico novo na região. Conhecido por sua velocidade, Jo começa a trabalhar com entrega de medicamentos. Ao conhecer Grace (Olivia Ritchie), filha de um rico dono de plantação, o rapaz transcede todos os limites sociais para viver seu amor proibido. “Bacurau” (Drama/Fantasia) – sessão às 21h30: Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa. Autor da publicação – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação.

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“Double Blind”, curta metragem de cineasta catarinense é selecionado para o Los Angeles Brazilian Film Festival 2019

Natural de Chapecó, Ana Silvani mora desde 2006 nos Estados Unidos; e é a produtora responsável por “Double Blind“, filme que está recebendo destaque mundial. O curta-metragem “Double Blind” (“Riscos às Cegas”, em português) da chapecoense, Ana Silvani, é um dos selecionados para participar da 12ª edição do Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), reconhecido como um dos mais importantes festivais de cinema brasileiro fora do Brasil. Em 2019, 48 filmes, entre curtas e longas, integram a programação do evento, que ocorre entre os dias 13 e 17 de outubro, no Harmony Gold Theater, em Hollywood. Confira mais detalhes no vídeo abaixo: Escrito e coproduzido por Ana, em parceria com a atriz gaúcha Laura Linn, que também atua no curta, “Double Blind” foi gravado na África do Sul e conta com a participação de atores internacionais como Luthuli Dlamini e Bonnie Lee Bouman. Totalmente produzido com recursos próprios das duas produtoras brasileiras, o projeto vai competir na categoria de Curtas Internacionais em Destaque. Ana Silvani é formada em Linguística e Literatura (Português/Inglês) pela Unochapecó, e em 2006, mudou-se para a Califórnia para estudar cinema no Santa Monica College e cursou também Entretenimento (roteiro, direção e produção) na UCLA, ambas em Los Angeles. Em 2014, trabalhou como produtora no longa Brasil Meu Amor da diretora Debora Reis Totton. Atualmente Ana trabalha como produtora e roteirista na One Word Media e está se dedicando ao roteiro de “Happy Hour“, que está em fase de revisão e também no roteiro e produção do documentário “Py’a”, que está em fase de pré-produção.  Publicação do texto: Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.com.Produção de vídeo: Marcelo Langaro.Imagens: Divulgação.

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A sensibilidade contemplativa de ”Vision”, filme mais recente de Naomi Kawase

A cineasta japonesa Naomi Kawase confirma, em Vision (2018), seu mais recente trabalho, a habilidade para filmar o inefável “Suzaku” (1997), “Shara” (2003) e Nanayo” (2008) para filmar o inefável. Vision conta a história da jornalista Jeanne, que viaja da França para uma floresta no Japãom, com o objetivo de encontrar uma erva raríssima sobre a qual ela está pesquisando: “vision”, que pode fazer as todas as dores humanas sanarem. Nesta jornada, Jeanne conhece Tomo, que lhe dá abrigo. Então, inicia-se uma história sobre autodescoberta e conexões entre presente, passado e futuro. A produção franco-japonesa vai além da linguagem convencional até com a escolha de utilizar-se de três idiomas ao longo da narrativa – francês, japonês e inglês. Além disso, a maioria das cenas não é ligada à narrativa de forma literal – ou seja, ao longo dos 109 minutos de duração, muitas das cenas parecem desconexas umas das outras, com saltos temporais e figuras de linguagem. Por ser um longa focado no metafórico, “Vision” vai muito além do que é mostrado em tela: foge das representações óbvias, optando por figuras de linguagem que permitem reflexões sobre os sentimentos humanos e o passar do tempo – como lidar com quem se é e com as próprias dores. Integram o elenco: Juliette Binoche (como Jeanne), Masatoshi Nagase (Tomo), Mari Natsuki (Aki) e Min Tanaka (Minamoto). As atuações não surpreendem, pois os personagens não têm grande desenvolvimento – exceto a protagonista. No entanto, essa falta de desenvolvimento dos personagens não chega a ser um grande problema, pois o roteiro tem outras preocupações: as diversas e profundas metáforas sobre temas metafísicos. Autor do texto: Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.com Imagens: Divulgação. Todos os direitos reservados às produtoras e distribuidoras Slot Machine; Kumie e IMOVISION.

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Baseado no livro baseado em fatos verídicos: a adaptação cinematográfica de “A Sangue Frio” (1967)

Filme produzido sob uma expectativa repleta de pressão: adaptar a obra percursora do gênero divisor de águas no jornalismo – o New Jornalism (também conhecido como Jornalismo Literário), apenas um ano depois da publicação literária. Dirigido por Richard Brooks (1912-1992), o longa-metragem “A Sangue Frio” (In Cold Blood, no original) adapta a obra literária homônima, escrita por Truman Capote e publicada em 1966. O filme narra as consequências de uma chacina ocorrida na pequena cidade de Holcomb, no Kansas: a dupla de criminosos Perry Smith e Dick Hickock invade a casa da família Clutter, com a intensão de realizar um assalto. No entanto, apesar da família ser rica, não há dinheiro algum na casa. Então, os criminosos assassinam brutalmente os quatro membros da família. Com a fuga da dupla, inicia-se uma intensa investigação. Optando pela linguagem mais sutil do que a do livro – que permite ao leitor visualizar e utilizando-se da linguagem, o longa-metragem de Brooks demonstra escolhas linguísticas bem definidas: enquanto a obra literária, apesar de utilizar-se apenas da palavra escrita, soa muito mais gráfica ao representar a violência da história. Em nenhum momento a cinematografia de In Cold Blood opta por mostrar cenas que ilustrem violência física, mas a maioria das tomadas são impressionantes por conta da ambientação que enfatiza sobreposições e alternância de planos bastante destoantes. No entanto, apesar das diferenças, o a adaptação cuidadosamente fiel com as descrições feitas no livro de Capote. Para isso, as gravações foram realizadas em locações autênticas, não apenas na cidade de Kansas City, até mesmo nos cômodos da casa onde ocorreram os assassinatos. Para interpretar os dois criminosos, ele encontrou dois novatos e desconhecidos, o ex-ator infantil Robert Blake (que depois ficaria famoso com o seriado “Baretta” e pela acusação do assassinato de sua ex-esposa) e Scott Wilson (que depois continuaria como coadjuvante). O estúdio porém queria Paul Newman e Steve McQueen. Na segunda parte do filme tem o julgamento, que é feito no mesmo lugar (Finney Court House, em Garden City) e com as mesmas pessoas no júri quando haviam chegado ao veredicto. A trama tem enfoque na instigante investigação da polícia, liderada pelo detetive Alvin Dewey interpretado por John Forsythe. No entanto, um dos aspectos mais interessantes do roteiro, é que a narrativa se intercala com importantes flashbacks – inclusive, uma das cenas mais impactantes é a que revela detalhes do crime. Os cuidados na veracidade da adaptação chegam ao ponto do pai verdadeiro de Perry Smith interpretar a si mesmo, e dos habitantes de Holcomb aparecerem como figurantes. Além disso, durante a filmagem, Brooks não deixou o elenco ler o livro nem o roteiro inteiro. Capote trabalhou perto do diretor e gostou muito do resultado. Infelizmente a edição em DVD não menciona nenhum dos fatos acima. Indicado para Oscars de “Fotografia” (Conrad Hall), “Direção”, “Trilha Sonora” (Quincy Jones) e “Roteiro”. Foi “Melhor Diretor” pelo “National Board of Review“. Tem apenas trailers (de filme não lançado aqui como “A Hora do Diabo”). Assim como no livro de Capote, Perry Smith é retratado com mais profundidade do que os demais personagens. Smith é claramente perturbado pelo passado e atormentado pelos traumas de infância. Por isso, mesmo sem que seja criada quaisquer justificativas para os atos hediondos, o personagem é tão complexo e profundo, que não é de se espantar que o espectador crie certa empatia. Assim como no livro de Capote, Perry Smith é retratado com mais profundidade do que os demais personagens. Smith é claramente perturbado pelo passado e atormentado pelos traumas de infância. Por isso, mesmo sem que seja criada quaisquer justificativas para os atos hediondos, o personagem é tão complexo e profundo, que não é de se espantar que o espectador crie certa empatia. Com o auxílio de uma fotografia em preto-e-branco, Richard Brooks cria uma aura de suspense e de tensão que muito se aproxima do cinema noir. Há também cenas repletas de lirismo e sensibilidade, ao exemplo daquela em que o reflexo da chuva na janela parece formar lágrimas no rosto de Perry. A Sangue Frio é uma adaptação, que apesar da sensibilidade, não deixa de ser marcante devido ao peso da história que retrata e ao contexto no qual foi realizada – fazendo jus ao primoroso livro de Truman Capote. Autor do texto: Willian S. Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens: Divulgação.  Direitos reservados à produtora Columbia Pictures.

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Permitir-se experimentar: a sensibilidade do drama romântico “Vendredi Soir”

O Cineclube da Fundação Cultural Badesc, em Florianópolis, recebe a sessão Cine Delas [Floripa], com o filme “Vendredi Soir” (Sexta-feira à Noite), dirigido pela francesa Claire Denis. A exibição, realizada no dia 19 de setembro, às 19h, conta com mediação de Andréa Carla Scansani, professora do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Lançado em 2002, o drama romântico conta com roteiro de Emmanuèle Bernheim, juntamente da própria Claire Denis, que dá um tom autoral e sensível – transformando situações aparentemente simples em reflexões contemplativas. O longa-metragem acompanha Laure (Válerie Lemercier), que decide mudar-se para a casa do namorado. Durante a mudança, encaminhando-se para o novo lar, ela fica presa em um engarrafamento. Invés de se estressar com a situação, Laure permite-se relaxar no carro e a contemplar a cidade e que a cerca. Enquanto isso, um estranho chamado Jean (Vincent Lindon) se aproxima e ela o deixa entrar. Esse encontro inusitado muda drasticamente a vida de ambos. Ao dirigir “Vendredi Soir“, Claire Denis carregava muita bagagem: a experiência em mais de dez projetos cinematográficos. Por conta desse histórico, a diretora reafirma sua capacidade de observar as situações com um olhar aguçado para questões conflitantes da contemporaneidade. Neste filme em particular, a protagonista se vê diante de uma situação controversa – estagnada, quase que presa, permite-se libertar de amarras pessoais e sociais. Outro aspecto que ressalta a sensibilidade da diretora em observar o cotidiano, é a forma como a cidade de Paris é retratada – vista quase como um personagem que parece se desenvolver ao longo da projeção. A beleza da noite parisiense é explorada em tomadas de variáveis ângulos. São nessas passagens, que a direção fotográfica de Agnès Godard mais se destaca. Os protagonistas são trabalhados com profundidade: até mesmo a aparente inconsequência de Lauren é passível de compreensão, dada a libertação crescente que isso desencadeia. Já Jean, que pode, inicialmente parecer apenas um tipo de garanhão supérfluo, ganha mais camadas e profundidade com o passar dos acontecimentos e diálogos bem construídos. Cineclube da Fundação Cultural Badesc: Contando com diversos parceiros – como a Aliança Francesa, Cine Italiano, ART 7, Cine Africano, Foco em Cinema, Sessão Divã, entre outros – e ocasionais mostras temáticas, o cineclube da Fundação Cultural Badesc, no centro de Florianópolis, realiza sessões de terça a sexta, às 19h. Todas as exibições são gratuitas. A programação completa pode ser consultada no site: http://fundacaoculturalbadesc.com Algumas das sessões são mediadas e/ou comentadas por convidados especiais. Andréa Carla Scansani: Professora do curso de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do grupo de pesquisa Fotocrias. Doutora em Meios e Processos Audiovisuais pela ECA/USP com período sanduíche no Institute du recherche sur le cinema et l?audiovisuel (IRCAV – Sorbonne Nouvelle – Paris 3); mestre em Multimeios/Cinema pelo Instituto de Artes da UNICAMP; especializada em Fotografia Cinematográfica pela Academia de Cinema e Drama de Budapeste/Hungria; graduada em Cinema com especialização em Fotografia Cinematográfica pela ECA/USP e formada em Fotografia pelo Núcleo Permanente de Formação em Linguagem Fotográfica da União dos Fotógrafos do Estado de São Paulo. Área de pesquisa e atuação: direção de fotografia, materialidade da imagem, corpo e câmera e processos fotográficos artesanais. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Direitos reservados às produtoras Arena Films e France 2 Cinéma.

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Horror ácido – “Brinquedo Assassino”, o reboot da franquia do boneco Chucky

Uma releitura ousada, mas problemática, do icônico personagem criador por Don Mancini O cinema hollywoodiano passa por um momento delicado: uma aparente crise de criatividade coletiva, somada ao conteúdo massivamente distribuído, modismo pelo nostálgico e tendências mercadológicas, transformam a fase atual no cinema em uma espécie de “Era do Remake”. Incontáveis filmes antigos foram refilmados nos últimos anos, fazendo com que parte da indústria cinematográfica se saturasse de refilmagens (popularmente mais conhecidas como remakes), adaptações cross-mídia e continuações de franquias longínquas. Dirigido por Lars Klevberg, cujo currículo como diretor ainda é curto, “Brinquedo Assassino” (Child’s Play), que estreou nos cinemas no mês de agosto, é um dos casos em que o remake pode ser considerado bem-vindo. Tal fato dá-se justamente do longa não parecer necessariamente um remake, mas uma espécie de releitura do filme homônimo produzido há três décadas. Decisões criativas dão uma roupagem totalmente nova ao icônico vilão Chucky, fazendo com que a versão dirigida por Klevberg tome como molde conceitos gritantemente diferentes aos do “clássico” filme dirigido por Tom Holland. No novo Child’s Play, um boneco altamente tecnológico, com inteligência artificial e que pode conectar-se a outros aparelhos, é a nova sensação mercadológica. Quando Karen Barclay (Aubrey Plaza), presenteia o filho Andy (Gabriel Bateman) com um desses brinquedos, a violência começa a aterrorizar a vida entorno da família. Acontece que o boneco de Andy foi alterado, por um funcionário revoltado da fábrica, para não distinguir o que é ou não violento. Então, aos poucos, o boneco Chucky torna-se uma pequena, porém destrutiva, máquina mortífera. Mesmo assumidamente calcado pela despretensão narrativa, o longa não é vazio de reflexões pertinentes. Em alguns momentos, até o humor ácido é utilizado pelo roteiro. A crescente submissão da sociedade atual para com a tecnologia em constante desenvolvimento é uma crítica inteligente que se reafirma ao longo de todo o filme – mesmo perdendo a força ao longo dos atos. Já no início do longa outra crítica é feita: as condições trabalhistas às quais se sujeitam alguns setores da sociedade. Questões como o deslocamento social juvenil, conceito desconstruído de família, machismo e até racismo, são pincelados ao longo da narrativa. No entanto, o filme não tem grandes pretensões para com o desenvolvimento dos personagens. A profundidade que poderia ser aplicada aos participantes da trama faz com que o roteiro perca força e que bom elenco não seja devidamente bem aproveitado. Alguns dos atuantes no longa são: Brian Tyree Henry, Amber Taylor, Beatrice Kitsos, Carlease Burke, David Lewis. O destaque maior vai para Mark Hamill (eternamente popular como o personagem Luke Skywalter, de Star Wars), que dubla do boneco assassino. Mesmo se perdendo no terceiro ato, “Brinquedo Assassino” não é desnecessariamente longo, nem cansativo. Um dos méritos do filme é não se render à linguagem padrão do terror comercial comumente visto na atualidade. O suspense é bem trabalhado em certos momentos e a cinematografia faz com que, em diversos planos, o vilão tenha uma grandiosidade metafórica. O longa não é pretensioso, mas consegue prender o espectador e até provocar reflexões interessantes em meio ao caos narrativo que se espalha ao longo dos arcos. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail – willianschutz@hotmail.com Imagens: Divulgação. Direitos de imagens das produtoras Orion Pictures, Bron Studios, KatzSmith Productions.

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“Simonal” e a versão dublada de “Arterix e o Segredo da Poção Mágica”, são exclusividades no Cinemulti, em Florianópolis

O longa brasileiro “Bacural” também é um dos destaques na programação de 12 a 18 de setembro da primeira sala de cinema do Sul da Ilha Na programação de 12 a 18 de setembro, o Cinemulti apresenta dois filmes com exclusividade em Florianópolis: o nacional “Simonal”, que conta a trajetória controversa do cantor da MPB, no horário das 13h e a animação “Asterix e o Segredo da Poção Mágica”, na versão dublada, às 15h. A aventura francesa que tem estreia prevista para o dia 19 de setembro no Brasil, tem sua estreia antecipada.   Também entre em cartaz “Bacurau”, longa vencedor do Prêmio do Júri em Cannes e selecionado para outros grandes festivais de cinema. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é exibido no horário das 18h45. Seguem em cartaz os filmes “Yesterday”, do cineasta britânico Danny Boyle, às 16h40 e o mais recente filme do diretor estadunidense Quentin Tarantino, “Era Uma Vez em Hollywood”, às 21h05. O Cinemulti fica no Multi Open Shopping, no Rio Tavares, em Florianópolis. Os ingressos custam R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia (idosos, estudantes e professores mediante comprovação) nas segundas, terças e quartas, e nas quintas, sextas, sábados, domingos e feriados o valor cobrado para a inteira é de R$ 25 e de R$ 12,50 para a meia entrada. O pagamento pode ser feito em dinheiro, cartão (crédito e débito) e com bitcoin. Mais detalhes da programação: Simonal (Biografia/Drama) – sessão às 13h Sinopse: Dono de voz marcante, carisma encantador e charme irresistível, Wilson Simonal (Fabrício Boliveira) nasceu para ser uma das maiores vozes de todos os tempos da música brasileira. No entanto, após anos de sucesso conquistado com muito trabalho, suas finanças descontroladas o levam a, num rompante de ignorância, tomar decisões que marcarão para sempre sua carreira.    Asterix e o Segredo da Poção Mágica (Aventura/Comédia) Dublada – sessão às 15h Sinopse: Após uma queda durante a colheita de visco, o druida Panoramix decide que chegou a hora de garantir o futuro da aldeia. Acompanhado por Astérix e Obélix, ele irá viajar pela Gália àprocura de um druida jovem e talentoso que possa ser treinado e que seja digno de conhecer o segredo da poção mágica. Yesterday (Comédia) – sessões às 16h40 Sinopse: Após sofrer um acidente, um cantor-compositor (Himesh Patel) acorda numa estranha realidade, onde ele é a única pessoa que lembra dos Beatles. Com as músicas de seus ídolos, o protagonista se torna um sucesso gigante, mas a fama tem seu preço. Bacurau (Drama/Fantasia) – sessão às 18h45 Sinopse: Pouco após a morte de dona Carmelita, aos 94 anos, os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa (Bárbara Colen), Domingas (Sônia Braga), Acácio (Thomas Aquino), Plínio (Wilson Rabelo), Lunga (Silvero Pereira) e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa. Era uma vez em Hollywood (Drama) – sessões às 21h05 Sinopse: Los Angeles, 1969. Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) é um ator de TV que, juntamente com seu dublê, está decidido a fazer o nome em Hollywood. Para tanto, ele conhece muitas pessoas influentes na indústria cinematográfica, o que os acaba levando aos assassinatos realizados por Charles Manson na época, entre eles o da atriz Sharon Tate (Margot Robbie), que na época estava grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha). Autor da publicação – Willian S. Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Dica final: uma boa opção para conferir a programação dos cinemas comerciais e alternativos de Florianópolis é o Guia Floripa.

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Uma declaração de amor – “A Noite Americana” e a cinefilia de François Truffaut

O filme é uma das mais imersivas representações artísticas da produção cinematográfica Uma grande declaração de amor ao cinema, feita por um dos mais influentes diretores franceses de todos os tempos: A Noite Americana (La nuit américaine, de 1973), longa-metragem escrito e dirigido por François Truffaut. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e do Globo do Ouro na mesma categoria, o filme tem trama que acompanha as diversas situações que acontecem durante a produção de um filme. O longa ao utilizar-se da metalinguagem para representar a produção de um filme dentro do filme – em uma grande ode ao cinema, cheia de referências à sétima arte. Durante quase 115 minutos, Truffaut se propõe a proporcionar ao espectador, uma imersão no processo cinematográfico: a produção e alguns aspectos de pós-produção. As referências ao carinho que o diretor tem pela arte cinematográfica ficam mais evidentes nas tomadas em que aparecem livros de autoria ou sobre grandes diretores na capa, como Howard Hawks, Jean-Luc Godard, Alfred Hitchcock, Luis Buñuel, Carl Theodor Dreyer, Ingmar Bergman, Robert Bresson, Roberto Rossellini e Ernst Lubitsch. Através de diálogos, de diversos elementos da mise-en-scène e até situações de roteiro forma-se um leque de incontáveis referências à sétima arte. O próprio título já referencia o ato de fazer Cinema: “noite americana”, efeito utilizado na fotografia de um filme para dar a sensação noturna para uma cena gravada durante o dia. Já na introdução do filme, junto aos créditos iniciais, os bastidores da produção cinematográfica são apresentados, com ondas de som aparecendo em tela, ilustrando a montagem de som de um filme. Uma surpresa é feita para o espectador logo na primeira cena da projeção: quando as imagens acompanham o personagem de Jean-Pierre Léaud durante toda uma passagem, que é interrompida pela voz do diretor – “Corta!”. Então, percebe-se que aquela cena é, na verdade, do filme dentro do filme. Partindo disso, a cena é retrabalhada em um formato parecido com um making off. Jean-Pierre Léaud se destaca no papel de Alphonse, um ator medíocre e com diversas indecisões que constantemente oscilam entre o cômico e o dramático. Léaud já tinha trabalhado com Truffaut na filmagem da saga semiautobiográfica do diretor, como Antoine Doinel – que tem semelhanças temperamentais com Alphonse. Também já havia trabalhado com diretores como Julien Duvivier, Jean Cocteau, Jean-Luc Godard e Glauber Rocha. La noite américaine é um dos três filmes em que Truffaut tanto atua, como dirige – O Garoto Selvagem (L’Enfant Sauvage, de 1970) e O Quarto Verde (La Chambre Verte, de 1978) são os outros dois. Ferrand, o diretor interpretado pelo diretor, não é o protagonista, mas funciona como figura que dá o tom do filme, tanto com parte do alívio cômico, quanto como responsável por apresentar, através de diálogos, reflexões sobre a relação entre arte e realidade. O roteiro original de Truffaut, Jean-Louis Richard e Suzanne Schiffman vai além das gravações do longa fictício, comentando sobre a produção como um todo, assim como das relações entre os membros da equipe. Assim, intercalando cenas da gravação e outras externas que podemos perceber a amplitude de uma obra de cinema. Truffaut se aprofunda mais ao demonstrar a própria ligação com o Cinema, com cenas de um personagem de caráter semiautobiográfico: um pobre menino, quase que alter ego do diretor, por fascínio, rouba um cartaz do filme “Cidadão Kane” (Citizen Kane, de 1941). Essa passagem tem semelhança com a cena em que o alter ego infantil do diretor, Antoine Doinel, rouba uma foto da atriz Harriet Andersson. Sentenças como: “Um filme é como um trem que avança pela noite” e “Um diretor de filmes é alguém que responde todo tipo de pergunta” demonstram reflexões profundas sobre a sétima arte e, juntamente da própria película, demonstram uma forma de pensar o Cinema que une o glamoroso ao duramente realista. Uma metáfora interessante utilizada no filme é a do aparelho auditivo do personagem Ferrand: representando o fato da produção cinematográfica ser o único foco do personagem, impossibilitando-o de permitir-se ouvir qualquer assunto sem fazer relações diretas ou indiretas para a arte. O roteiro tem uma construção que pode até despertar em certos espectadores, a vontade de assistir Je Vous Presente Pamela, a produção dentro da produção. E, como no término de qualquer filme do Truffaut, quando a conclusão da obra fictícia ocorre, o espectador mais sensível fica com uma sensação de amargor, a vontade de ter mais daquele pequeno núcleo social e artístico tão envolvente e complexo, humano com qualquer pessoa. A Noite Americana acabou por sacramentar a briga entre Jean-Luc Godard e François Truffaut. Pouco tempo depois do lançamento do longa, Godard, que no passado fora grande amigo de Truffaut quando ambos trabalharam como críticos na revista Cahiers du Cinéma, tornando-se juntos, percursores do movimento Nouvelle Vague – ao lado de nomes como Eric Rohmer, Claude Chabrol, Jacques Rivette. Na longa carta que Godard enviou a Truffaut criticando A Noite Americana, chega a chamar o colega de burro, acusando-o de trair o movimento artístico que consolidaram – condenando a predileção do colega pelo cinema norte-americano. O fato é que em La noite américaine se encontra a representação que François Truffaut fez do que é o cinema sob seu ponto de vista – demonstrando que a arte é maior do que a vida. Autor do texto – Willian Schütz.Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.comImagens – Divulgação. Todos os direitos reservados à Warner Bros Pictures.

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