Protagonizado pela Alessandra Negrini, o road movie é sensível e tem como foco a relação entre mãe e filho

O diretor pernambucano Lírio Ferreira já consagrado entre amantes do cinema nacional. Ele assinou obras como “Baile Perfumado”, “Árido Movie”, “Cartola”, “O Homem Que Engarrafava Nuvens” e “Sangue Azul”. Agora, em junho de 2021, seu sexto longa-metragem chega ao circuito cinematográfico: “Acqua Movie”
Intercalando os cenários de São Paulo, Recife e do interior de Pernambuco, a nova obra é bem ao estilo road movie, ao mesmo tempo em que retrata a paisagem nordestina drasticamente alterada pela transposição do Rio São Francisco e mostra a forte presença do coronelismo no país.
Para isso, o longa utiliza-se de um paralelo com o filme “Árido Movie”, que foi lançado em 2005 pelo mesmo diretor. Assim, tanto temáticas, como o personagem Jonas, são recapitulações de outra obra de Lírio Ferreira.
Mas a narrativa de “Acqua Movie” caminha por outra atmosfera. A trama é centrada na relação entre uma mãe (“Duda”, interpretada por Alessandra Negrini) e seu filho adolescente (“Cícero”, Antonio Haddad). Cícero encontra seu pai (“Jonas”, Guilherme Weber) morto no banheiro de casa, vitimado por um infarto fulminante. Duda está na floresta amazônica realizando um documentário sobre a demarcação de terras indígenas. Mãe e filho partem de carro de São Paulo com o intuito de resgatar o afeto mútuo e deixar as cinzas de Jonas na cidade onde ele nascera, no interior de Pernambuco.
Misto de aventura e investigação, o lançamento também flerta com o gênero documentário e nos leva a um cinema inquieto, reenquadrando a premissa de que o mundo convive com a falta, de solidariedade e com o excesso de informação.
Lírio pernambucano, o diretor
Lírio Ferreira codirigiu, com Paulo Caldas, o longa Baile Perfumado (1996), um dos filmes mais marcantes da retomada do Cinema Brasileiro. Melhor Filme no Festival de Brasília, também foi exibido nos festivais de Toronto, Havana, entre outros.
Árido Movie (2005), o seu segundo longa-metragem, foi selecionado para o Festival de Veneza. Participou ainda dos Festivais do Rio, Miami (Melhor Diretor), Karlory Vary, Paris, Nova York, e CINE PE, onde ganhou seis prêmios, incluindo o de Melhor Filme e Direção
Em 2007, lançou a cinebiografia Cartola, codirigida por Hilton Lacerda, sobre o lendário sambista carioca, que se tornou o documentário de maior bilheteria do ano no Brasil. O Homem que Engarrafava Nuvens (2009), teve sua estreia internacional no MoMA, em Nova York e foi selecionado para o IDFA (Festival Internacional de Amsterdam), além de percorrer inúmeros festivais internacionais. O filme ganhou o prêmio de Melhor Documentário do Ano (2010), pela Academia Brasileira de Cinema. Sangue Azul (2015), premiado nos festivais do Rio e Paulínia, abriu a seção Panorama, do Festival de Berlim.
A ficha técnica

“Acqua Movie”
Brasil, 2019, 105 min, classificação indicativa “Livre para todas as idades”.
Direção: Lírio Ferreira
Roteiro: Lírio Ferreira, Marcelo Gomes e Paulo Caldas
Produção: Chica Mendonça, Lírio Ferreira
Produtora: Chá Cinematográfico
Fotografia: Gustavo Hadba
Montagem: Vânia Debs
Som: Valéria Ferro
Elenco: Alessandra Negrini, Antonio Haddad Aguerre, Guilherme Weber, Augusto Madeira, Maycon Douglas, Marcélia Cartaxo, Zezita Matos, Edgar Navarro, Aury Porto, Fabiana Pirro, Marcio Fecher, Lula Terra, Claudio Assis, Antonio Marinho.
Distribuição: IMOVISION
Caso tenha interesse…
Assista ao trailer:
Matéria: Willian Schütz
Contato: redacao.wilianschutz@gmail.com
Imagens: Divulgação.
Distribuição do filme e do material: Imovision.





