Dirigido por Patty Jenkins, o segundo filme da heroína amazona da DC Comics é caótico em termos de narrativa e estética

Não há dúvidas que o filme “Mulher Maravilha”, dirigido por Patty Jenkins e lançado em 2017, tem grande importância por dar gigantesca visibilidade para uma heroína mulher em tempos onde o empoderamento feminino mostra-se cada vez mais necessário. Isso tudo, inspirando crianças de todo o mundo, agradando parte do público fã dos quadrinhos de super-heróis e gerando uma pilhagem de dinheiro astronômica para a produtora Warner Bros.
Em meio ao conturbado “Universo Cinematográfico DC”, o filme assinado por Jenkins mostrou-se uma boa surpresa e gerou certas expectativas para a sequência, prontamente anunciada. E finalmente, no ano da trágica pandemia de Covid-19, “Mulher Maravilha 1984” (Wonder Woman 1984) foi lançado como um dos poucos grandes blockbusters de 2020…
… mas a decepção foi grande para quem esperava um longa-metragem tão bom quanto o primeiro.
A sequência traz novamente a atriz Gal Gadot para o papel principal – consolidando-se, felizmente, como uma ótima intérprete da icônica personagem -, bem como parte das pessoas envolvidas na produção do primeiro filme: nomes de peso nas adaptações de quadrinhos como Geoff Johns e Zack Snyder. Todavia, contudo, entretanto, porém, tanto a direção, quanto o roteiro são enfadonhos, se comparados ao longa precedente.

Mas antes de se comentar ponto a ponto, é preciso lembrar brevemente a sinopse:
Cerca de 70 anos depois dos eventos de “Wonder Woman” (2017), a princesa amazona Diana segue vivendo no mundo dos humanos. O ano em questão é 1984 e a protagonista encontra-se trabalhando como arqueóloga. Quando uma pedra misteriosa capaz de conceder qualquer desejo é descoberta, Diana precisa atuar como a heroína Mulher Maravilha para evitar desastrosas consequências de eventos imprevistos envolvendo o artefato e vilões para lá de galhofas.
O que dizer desse plot? É simples assim: encontram uma pedra mística que passa a ser utilizada deliberadamente e que facilita qualquer decisão mal pensada dos roteiristas – que entregam uma história cheia de furos… esburacada.
E os vilões? Pelo lado bom, são trazidos dois vilões diretamente das histórias em quadrinhos: a Mulher Leopardo e Maxwell Lord. No entanto, as duas origens são tão forçadas quanto a ambientação exageradamente iconográfica que Patty Jenkins faz da década de 1984.

Pois é, um filme produzido em 2020 consegue se perder tanto na dosagem de homenagens ao contexto da época do exagero, que chega a parecer datado em diversas passagens.
O ponto positivo do roteiro é tornar a narrativa parecida tirada diretamente dos quadrinhos. Mas o problema é que há um exagero nesse aspecto, que gera uma “perda do tom” ao longo das longas duas horas e quarenta e um minutos de projeção. Outra referência que pode agradar aos fãs mais antigos da super-heroína é a inserção do jato invisível – consagrado nas histórias animadas de “Super Amigos”.
Mas são duas horas e quarenta e um minutos (repetindo)… então, claro: há ótimas sequências durante o filme. Jenkins é uma diretora de mão cheia, isso é difícil refutar. Algumas das sequências de ação, por exemplo, são vistosas, bem coreografadas e com cortes cuidadosamente escolhidos – que rendem os “parabéns” para a equipe de montagem, também.
Sobre a protagonista: Diana está menos carismática do que na película anterior. Porém, há motivos para isso. Há uma carga dramática maior na personagem – que vive constante solidão.
Contudo, é preciso questionar: por que tão pouca Mulher Maravilha no filme da Mulher Maravilha?
Mas tudo bem, há problemas muito maiores no roteiro. E no CGI de algumas cenas, também.

E o Steve Trevor? O personagem é divertido e foi importantíssimo no longa de 2017. Sim, ele retorna em Mulher Maravilha 1984… o que não é nenhum spoiler, pois o ator Chris Pine, que interpreta o personagem, aparece desde o início da produção, entre os nomes creditados. Entretanto, a volta de Trevor é uma das piores coisas nesta sequência. Espere e verá.
“Wonder Woman 1984” custou US$ 200. Em janeiro de 2021, o filme atingiu os US$ 100 milhões mundiais arrecadados em bilheteria. Mesmo com o desastre completo, a esperança é que a arrecadação pelo menos pague a produção, já que o filme não é de todo ruim – e está longe de ser um dos piores no “Universo Cinematográfico da DC”. E é sempre bacana assistir uma boa aventura “girl power” nas telonas, pensando que a Mulher Maravilha inspira milhares de crianças em todo o mundo.
Autor do texto e da publicação:
Willian Schütz
Contato: redacao.willianschutz@gmail.com
Crédito das imagens utilizadas: Warner Bros | DC Entertainment | Reprodução/Divulgação. Uso para fins meramente jornalísticos.

