Mesmo sendo o sexto filme da franquia, “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” é continuação direta de “Terminator 2”, 28 anos depois
A saga Terminator (O Exterminado do Futuro, em português brasileiro) ganhou novos e históricos rumos com o sexto longa da franquia, lançado em novembro de 2019. Titulado “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” (Terminator: Dark Fate) marca o reencontro histórico entre Linda Hamilton (a emblemática Sarah Connor), Arnold Schwarzenegger (imortalizado como o ciborgue assassino T-800) e do produtor e co-roteirista James Cameron – criador da franquia.

Altas expectativas criaram-se com o retorno, não só dos personagens mais marcantes dos dois primeiros filmes da saga, a valente e durona Sarah Connor e o T-800 – primeiro e mais memorável exterminador.
Além disso, a direção desse sexto longa-metragem é assinada por Tim Miller, que recentemente mostrou-se grande promessa para os filmes de ação, ao dirigir Deadpool, lançado pela Marvel/Disney Studios em 2016.

No entanto, o novo longa tem tantos problemas quanto os antecessores. A decisão de ignorar os três últimos fracassos da franquia acabou por não funcionar tanto, pois “Dark Fate”, mesmo escorando-se no fato de reunir nomes consagrados entre os fãs da franquia – considerando que a nostalgia pode, por vezes, provocar a afalsa ilusão de qualidade.
O fato é que, mesmo com as justificativas do roteiro, os personagens dos antigos episódios, parecem bastante deslocados da trama – na maior parte do tempo.
Inicialmente, a Sarah Connor funciona bem: tem motivações e justificativas instigantes, é durona, e ainda provoca a sensação de nostalgia em parte dos fãs mais antigos. Mas, ao longo do “desenvolvimento” do enredo, os clichês repetem-se tão exaustivamente, que até a personagem feminina mais icônica da saga torna-se cansativa.
O exterminador T-800 é ainda pior: a história que o cerca é quase vazia e cheia de furos de roteiro. Além disso, nem nas cenas de ação, ele se demonstra mais do que um simples elemento de roteiro para atrair fãs que já não compareciam aos cinemas desde “Terminator: Genisys“, de 2015.
Como vilão, “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” o personagem Rev 9, interpretado por Gabriel Luna. No entanto, esse é um dos mais esquecíveis e mal desenvolvidos vilões da saga “Terminator“.

Aliás, as cenas de ação, mesmo com coreografias muito bem elaboradas e até com certa grandiosidade, deixam à desejar pelo CGI (recurso de computação gráfica para efeitos especiais) inconstante – por vezes é aceitável, em outras, horrendamente finalizado.
Tudo isso ambientado em um roteiro que tem estrutura nitidamente chupinhada dos episódios iniciais da franquia.
O filme não é só defeitos, apesar de tudo.
É muito bacana que ele trabalha com questões sociais bastante em voga na atualidade, mesmo que – vejamos a ironia – sutilmente. Um exemplo, é a personagem de Natália Reyes, Dani Ramos – uma espécie de desconstrução que une características de John Connor e sua mãe -, e ela é latina – sua cultura pincelada ao longo do filmes – interligando-se com os estardalhaços da perseguição constante que carrega a trama.
O longa introduz um novo conceito, também: o da possibilidade de existência de androides. Inclusive, é justamente uma androide, a personagem melhor desenvolvida na trama: Grace, interpretada por Mackenzie.
O trio feminino formado pelas personagens Grace, Sarah e Daniela representam nitidamente o empoderamento das mulheres – sem ser sexista, o filme traz esse aspecto de modo bastante natural.

No fim das contas, o sexta (ou terceiro?) filme faz-se desnecessário para a saga – repetindo furos de roteiro recorrentes nos anteriores, trabalhando mal conceitos cheios de potencial e derramando elementos descartáveis ao longo da trama.
Em nenhum momento do filme há questionamentos sobre os conceitos de viagem no tempo – como a maneira na qual os eventos se altera. Mas, o mais interessante é que esses questionamentos são, talvez inconscientemente levantados e direcionados ao público tirar suas próprias conclusões – como preencher o vazio com ar.
Texto: Willian Schütz
Contato por e-mail: willianschutz@hotmail.com
Imagens: Divulgação. Direitos reservados à produtora Paramount Pictures.

